terça-feira, 8 de janeiro de 2013

* NADA...





Que um dia esta louca vontade de sumir, se vá.
Que viver não doa...
Que não pese tanto...
Que eu possa conviver pacificamente, com o que carrego em mim.



Não posso querer que entendam,
Muitas vezes nem eu entendo.
Só desejo que respeitem quem sou
Pois sou, apesarem de acharem que nada sou.



Tem dias que não entendo nada
Tem dias só de porquês
Mas não há respostas,
Muito menos explicação. 



Sou um ser que poucos veem
Mas que muitos acreditam enxergar.
Mas na realidade pouco ou nada sou
Nem mais sei quem sou.



Tudo em mim é desencanto
Nada se faz encanto
Vivo um dia de cada vez
Mais que isso, não posso.



Neste meu canto
Que nem meu é,
Vivo a vida que tenho horror de viver.
Cega a qualquer possibilidade.



Na verdade, ninguém sabe quem sou,
Me definem...
Me rotulam...
Mas nunca tentaram saber realmente quem mora em mim.



Há muito aprendi que minhas dores são minhas.
Que minhas feridas curo eu.
Que minhas pedras eu arrasto.
Minha vida, esta eu levo...



Lucienne Miguel

  

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

*CANSAÇO







Não sei mais quem sou, nem mesmo sei se um dia fui.
Talvez tenha sido mas, creio que, jamais serei novamente.


No meu caminho, entre pedras e espinhos,
 tento enxergar quando foi que pisei em areia macia,
que senti brisa suave e estive numa situação
 em que eu só  fechasse os olhos para sentir o abraço doce da vida.
Não me lembro de tempos assim...


Talvez eu esteja perdendo a memória,
0u quem sabe nunca houveram memórias a serem guardadas.
Momentos de maciez e suavidade não vivi.
Só me lembro de escarpas dos caminhos que trilhei.

Penso que a paz deva ser boa.
Imagino que a tranquilidade seja leve.
Crio em minha mente um mundo diferente.
Tão diferente, que talvez seja inexistente.


Talvez desejar seja me iludir, 
seja criar um mundo que não conheço,
que só vi em filmes e livros, em poemas e canções.
Talvez seja apenas o mundo utópico
 que tanta gente deseja e por isso escrevem, assim como eu.


Apesar de tudo isso, não consigo deixar de desejar
 que um dia seja...
Mas não quero por apenas pequenos instantes,
 na verdade, quero por dias, meses, anos ou
 até só por longos momentos.


Doces e suaves momentos passageiros 
me dariam o que não conheço, mas que me bastariam.
Me livrariam do cansaço de carregar em mim, coisas que só eu sei...



Lucienne Miguel





quarta-feira, 31 de outubro de 2012

*BUSCO...









Caminho pela praia, 
Sem rumo...
Sem prumo...
Perdida!


Onde está a mão,  que segurou tantas vezes a minha?
Onde está a voz, a me dizer tantas coisas?
Onde está  a alegria e a paz, a que eu me acostumara?
Onde estão os pés, a pisar a mesma areia que eu?


Nessa doida sensação de solidão, caminho...
Busco respostas...
Busco a parte faltante de mim.
Busco...


Olho para os lados...
Nada!
Olho para a frente e do mar você não surge.
Olho para o lado,
Estou só, fisicamente só...


De repente percebo que solitária não estou.
Caminho sim, sem companhia.
Acerto o prumo, acho o rumo...
A dor se vai!


Percebo que, mesmo distante,
Jamais estaremos longe.
Neste momento sei que...
Caminharei com você em mim...
SEMPRE!



Lucienne Miguel





quinta-feira, 20 de setembro de 2012

*PEDAÇOS...









Sou feita de pedaços...
Partes que se unem e se compõe.
Sou muitas numa só.
Sou só, em muitas.
Pedaços de mim, que me fazem ser quem sou.



Ás vezes feliz...
Ás vezes triste...
Ás vezes sonhadora...
Ás vezes sem sonho algum.



Sou feita de pedaços.
Pedaços que o tempo criou.
Esculpiu-me pela vida afora.
Moldou-me, conforme a vivência.



Muito me tirou.
Absurdamente me acrescentou.
Me fez melhor...
Talvez maior, quem sabe?



Me fez intensa.
Me fez densa.
Pedaço á pedaço, colados firmemente...
Em cola de dor e amor.



Na verdade, sou feita de pedaços de vida.
Que se compuseram passo á passo,
Pelas trilhas pelas quais passei,
Pelas escarpas que escalei.



Sou abençoada pela vida, em cada pedaço meu...
Em cada canto e recanto, em que abrigo o amor que me move.
Em cada porção que doo...
Em cada porção que recebo.


Sou sim, feita de pedaços!
Pedaços que me fazem ser quem hoje sou...
Pedaços que ainda virão...
E que definirão, quem ainda quem serei.






Lucienne Miguel 




sexta-feira, 17 de agosto de 2012

* A MINHA ANORMALIDADE!






Se ser normal é ser o que vejo, sou completamente anormal.

Na verdade, prefiro ser assim...

Tão anormal, que posso possuir sentimentos sem fim.

Olho para os lados e o que vejo me enoja.

Não tenho a menor pretensão de ser igual, ao que tanto me repugna.

Na minha anormalidade, vivo num mundo á parte.

Sou tida, muitas vezes como idiota, pois não atropelo pessoas.

Imbecil, por não tirar vantagens.

Incompreendida, por vezes sem conta, conjugar o verbo Amar...

Amar por amar!

Amar mendigos, velhos e tudo o que é colocado á parte, por "não servir", como se lixo fossem.

Me veem como um ser absolutamente louco, por desejar dignidade, num mundo tão indigno.

Um mundo onde ser totalmente sem caráter, é ser inteligente...

Onde ser ladrão, também é sinônimo de esperteza.

Onde não enxergar a dor alheia, é normal.

Onde a Solidariedade, é considerada imbecilidade.

Na verdade, não me sinto parte deste mundo...

Nunca me senti!

Tento, juro que tento, muitas vezes entender.

Mas tudo aqui, vai muito além da minha compreensão...

Talvez, porque bem lá dentro de mim, não quero compreender!


Lucienne Miguel




quinta-feira, 26 de julho de 2012

*SAUDADE...






Que saudade é esta, que me invade a alma e deixa oco meu coração? 

Que vazio imenso é este, que toma conta de mim?

Esse desejar constante, daquilo que nunca tive, mas que sinto, de uma forma louca, já ter tido.

Saudades de momentos simples e cotidianos, que não vivi.






Saudade do abraço de chegada, que ainda não dei...


Das quietudes, que dispensam palavras...


De brincar e sorrir sem motivo algum...


De momentos doces e suaves, que invadem meu sonhar.






Saudade do cheiro, que ainda não senti...

Saudade da boca, que ainda não provei...


Saudade dos toques, que ainda não trocamos...


A ansiedade de estar perto, por saber o quão lindo será.




Ah! Que saudade louca de do que ainda não vivi!




Saudade das palavras sussurradas...

Dos gemidos sem controle...

De toques suaves que acordam o corpo...

Das mãos que passeiam por cantos e recantos...


Saudade se fazer o Amor, que ainda não fizemos.






Mas de de forma inexplicável, sei como será, tudo o que nunca tive.


E aqui, em minha alma habita só metade de mim.


E que numa longa espera, anseia pela outra metade...


Metade esta, que me fará completa!






Cá estou eu, do outro lado do Oceano 


A esperar por ti, metade tão imensa de mim!










Lucienne Miguel
























sexta-feira, 6 de julho de 2012

* Relatividade?





Não consigo, por mais que tente, entender o uso da Relatividade, sob a visão das posturas e atitudes, no que diz respeito ao caráter, nem aos sentimentos, que algumas pessoas cultivam.

Para mim, a Relatividade, usada da forma como vejo serem usadas, não são coerentes, são a simples maneira de se dar uma desculpa á posturas incorretas cometidas.

Esta Relatividade, dá as pessoas  o direito de serem impróprias, muitas vezes sem caráter, usando como desculpa, que agem sem a compreensão exata, dos desmandos que cometem.

Em geral, usadas por pessoas que vivem a errar e arrumar desculpas, para si próprias e para os erros que cometem, que em geral lesam alguém.

Olhar para as posturas que tomam, usando-se dessa relatividade, para dar um enfoque conveniente, é criar situações, que se adequem a forma distorcida, com os que estão a praticar tais atos.

Agir, usando aquilo que deram o suave nome de Ética Relativa, é agir sem ética, usando somente, as esfarrapadas desculpas para erros e omissões.


Todos, por menos que se aceite, sabemos a forma correta, ou não de agir.

Nada tem esta definição de Relatividade ...

Não se tem caráter relativo, caráter é algo que se tem, ou não se tem.

Não se tem amor relativo, pois ou se ama, ou não se ama.

Não se tem solidariedade relativa, ou a praticamos ou não.

Não se tem piedade relativa, ou nos compadecemos, ou ignoramos o sofrer alheio.

Não existe verdade relativa, ou se é verdadeiro, ou vivemos de pequenas ou grandes mentiras.


Dar relatividade a essas coisas, é dar á elas uma reformulação.


É  praticar  atos e atitudes se tornem convenientes, e assim, se enganar, ou enganar aos outros, tentando aliviar, o que eu chamo de Consciência.

Na verdade, todos sabemos o que é justo e correto, mas a Relatividade, nos ajuda a mascarar verdades, para que acreditemos que, estamos a agir corretamente.

Agir de forma Absoluta, é a única forma de se viver no Ser e não no Parecer das coisas.

A meu ver é simples analisar e separar o que é a Relativo, do que é Absoluto.

Ser Absoluto, é agir com regras de conduta respeitosas aos outros, indo com minha liberdade de ação, até onde ela termina, para que a do outro comece.

É não usar, não manipular, não enganar, não usufruir, não iludir, não usurpar.

Ser Absoluto, é literalmente, viver em linha reta, sem atropelar pessoas.


 Não usando a desculpa de que se vê, determinadas coisas, que têm definição imutável, mudando-as conforme nosso desejo, ou necessidade, tornando-as mutáveis, para se tornem mais leves, para consciência de quem as comete.

É ter ou não ter regra de conduta honesta e coerente!


Não aceito, pois não compreendo esta forma Relativa de posicionamento perante a vida.


O mais incrível é que, os fazem uso da Relatividade, como algo adaptável a si mesmo, sabem bem, cobrar o Absoluto dos outros. 


Portanto a Relatividade, só cabe aqueles que são Absolutos somente em seu egoísmo, pois creem serem os únicos a terem direitos á usá-la.


Enfim, ser Relativo ou Absoluto, é uma escolha...
É se ter ou não caráter.


Quanto as escolhas, cada um faz a sua.
Escolher ser Absoluta, não é tarefa fácil, nesse Mundo de Relatividades...




Lucienne Miguel